sempre aberta.

sempre aberta.

(Source: abretumente)

“Olhem! Olhem! Vou pôr um ovo! Vou pôr um ovo!”
Friedrich Nietzsche (em “O andarilho e sua sombra”)
tá amarrado em nome de ganesha.

tá amarrado em nome de ganesha.

(Source: milktree)

Coleção de posts deletados do facebook - parte 2

1.

minhas notícias do bbb seriam assim: “Quadrado, constrangidão e meio deprê, come pipoca e defende a teoria de que, na verdade, nada existe”

2.

Há dois anos, inspirado pela copa da áfrica, meu filho correu em minha direção gritando “jabulani” e acertou um violentíssimo chute nos meus ovos, mais especificamente no ovo da esquerda. Isso me rendeu uma epididimite, tive de tomar antibiótico e usar suspensório escrotal (na rua, apontavam em minha direção e riam na minha cara). Até hoje guardo sequela, o que é ótimo. Depois de dois filhos, se me viesse um terceiro, acabaria atentando contra minha própria vida.

3.

não sei se meu feice é um blogue ou um programa de clipes com piadinhas no meio.

4.

minha vida anda tão emocionante que o highlight do meu dia, agora, é brincar de rex pum pum com meu filho.

5.

quebro meu jejum pra dz só o seguinte: a música “ai se eu te pego”, de michel teló - que eu nunca tinha ouvido até meia hora atrás, e estou ouvindo em looping - é genial. quem disser que não é pq não sabe nada do pop e vai passar a vida toda ouvindo coisas muito empertigadas e bem colocadinhas como o concerto pra oboé com tromba inversa em fá duplo bemol menor opus # 32 de van plutz quiel parilis.

cogito, ergo sum.

cogito, ergo sum.

Coleção de posts deletados do facebook

1.

Vc está aí - todo folgazão, desmiolado e vagabundo - enquanto tem um monte de fulanos postando paradinhas politicamente corretas, socialmente engajadas e ambientalmente responsáveis, com tom de lição de moral terminadas em “pense nisso” e “repasse”?

Então, meu amigo, seus problemas acabaram. Larga a mão de ser vago e venha já conosco fazer um tipo consciente. Afinal, o que pode ser melhor do que uma egotrip disfarçada de altruísmo? Pega bem, é bacaninha e, se pans, rende um sexo. Pense nisso. Repasse.

2.

Não é que o futebol seja chato, ele é apenas incrivelmente superestimado. De tão superestimado, acaba resultando mais chato do que realmente seria.

3.

Esse papo de “se o tempo voltasse, trabalharia menos, tomaria mais banhos de sol etc” o povo acha fofinho, alto astral e do bem. Mas há a condição de que seja só um desejo vão, de quem não poderá jamais voltar no tempo. Se o cabra tentar fazer isso pra valer, no presente, vão chamá-lo de loser, disfuncional e vagabundo.

4.

Vamos fumar, vamos beber, vamos tomar drogas e trepar na rua sob o sol do meio-dia, vamos parar nossos carros nas vagas de portadores de dificuldades motoras e/ou cognitivas, vamos mandar a correção política à puta que pariu.

5.

Orgulho & Preconceito é um filme (não sei do livro) que somente uma mulher pode gostar. A mim me soltam os intestinos esses ingleses muito constrangidos e apaixonadinhos.

6.

Hoje a expressão “em tradução livre” virou onipresente, por mais óbvia e única que seja a tradução possível. Acabo de ler o seguinte: ”Deep Blue (“Azul Profundo”, em tradução livre)”. Bem, já que o povo é tão criterioso, sugiro mais algumas liberdades, a saber:

Car = “carro”, em tradução livre

Egg = “ovo”, em tradução bem livre, afinal, quanto significado pode conter um ovo?

The book is on the table = “o alfarrábio do dotô zezinho criou asas e voou, deixou pra trás o mundo de desgosto, chato como o tampo de uma mesa fria e cínica de necrotério”, em tradução livre.

7.

‎- Quadrado, e belo monte? Vc não vai se posicionar?
- Não, tenho mais o que fazer, tomar pinga e me alienar, por exemplo.
- Seu burro!
- É nóis.

8.

O jornalista sangue-ruim, depois que morre, vai pro inferno específico da categoria. Trata-se de um jornal que não fecha nunca. E funciona assim:

No fim de um longo dia de trampo (sem tempo pra ir mijar e na chapação violenta de café ruim), a equipe do Capeta News, digamos, está já nos arremates da edição, fechando os últimos detalhes da capa, quando rola uma desgraça fresca: um avião cai em Minas matando 200 pessoas.

E aí é um pega-pra-capar pra levantar a cobertura especial de muitas páginas, com mil retrancas, fotos, infográficos e análises. Muitos cafés mais são consumidos, a bexiga quase rebenta, mas heroicamente vai-se fechando a edição. É quando um tsunami entra pelo Rio de Janeiro matando 2.000 pessoas. E o jornal que nunca fecha é refeito mais uma vez.

E de novo, e de novo, desgraças frescas e cada vez maiores que se renovam, e edições quase prontas derrubadas, pra se começar tudo do zero, pelos séculos e séculos sem fim.

9.

Todas as músicas dos beatles são nota 8 ou 9, e por isto eles são a melhor banda de todos os tempos. Mas a verdade, eu descobri, é que talvez eles não tenham nenhuma música nota 10.

Duvida? faça uma lista das melhores bandas e veja os beatles lá no topo. Depois, faça das melhores músicas, e terá dificuldade de encaixar uma dos fab 4 entre elas, porque eles não têm nenhuma gimme shelter no repertório.

10.

A verdade, meus amigos, é que eu não quero um ipad nem de graça. Fosse eu obrigado pelas forças de uma tirania sanguinária a ter um desses em casa, usaria-o no máximo para calçar a mesa bamba de lata onde todo meu café com pinga todas as manhãs.

Steve Jobs, ainda mais magro a esta altura, berraria lá de dentro do caixão, esmurrando a madeira, na tentativa de me convencer que o ipad é mais bacaninha pra levar pro sofá: “isn’t that cool?” - mas eu teria de dizer sinto muitíssimo, prefiro meu laptop apoiado sobre o colo.

Esta é a verdade, meus amigos, e a verdade, como disse o profeta, ela vos libertará.

11.

blood sugar sex magik (diabetes tântrica)

12.

corto cabelo e pinto (rabino cabeleireiro)

13.

O taxista, hoje pra mim, reclamando sério: “olha que absurdo, essa rua tá esburacada que nem um queijo SUÍNO”.

14.

Todo publicitário que colocasse a frase “então, tá esperando o quê?!” em suas peças deveria ser supliciado, arrastado ao gólgota e lá crucificado entre ladrões, como barbaramente fizeram como nosso senhor, ele, coitado, que nunca escreveu um reclame na vida.

15.

Deus me proíba de dizer coisa como “olha que bacana o resultado do meu trabalho”. Deus me force a dizer coisas como “oh, eu estava bêbado e caí com minha carne quente no assoalho do avancê”.

16.

Deus me proíba de escrever coisas como a da propaganda do celular: “dia corrido, mas muito produtivo”. Deus me incentive a dizer coisas como “ah, como é bom coçar uma frieira gorda e ardida”.

17.

2010, guinness draught, pé de pato magalô 3 vezes, lord ganesha nos salve, pernil do mal, leitinho de cabra, berço perfumado, ifode vago, rainy day women #12 & 35, zinadeira de prástico, mise-en-scène, cu de pão sueco, dente fosco, shake de baunilha, zamiáceas e bracuri martelo. enfim, um ano assim assim.

ॐ

(Source: shaf-haf)

“Somente aquele que deixa sua mente morrer verdadeiramente renasce.”
Ramana Maharshi
freud explica.

freud explica.

A insanidade do mundo, por óbvia que seja quando finalmente a vemos, consegue se esconder atrás de si própria, pois nos chega quase sem contrastes que a revelem, numa massa tremenda e coerente de loucura. É como o ruído de estática, cuja presença só se perceberia se fosse enfim interrompido. A narrativa da infelicidade se desenrola sem falhas na trama da telenovela, no comercial do automóvel, na notícia do crime, nos feeds da rede social, na conversa previsível com os colegas de trabalho, no teatro político, na sinceridade estudada do entrevistado, na passarela da moda, na reivindicação do ativista, na risada das conversas de bar, na falsidade das boas intenções, na promessa religiosa, no consolo da autoajuda, na letra da música. Uma costurada à outra elas se sucedem, formando a argamassa do medo. De vez em quando, porém, algo sopra a aparente solidez da parede de fumaça do ego e nos diz: isto não precisa ser assim.

A insanidade do mundo, por óbvia que seja quando finalmente a vemos, consegue se esconder atrás de si própria, pois nos chega quase sem contrastes que a revelem, numa massa tremenda e coerente de loucura. É como o ruído de estática, cuja presença só se perceberia se fosse enfim interrompido. A narrativa da infelicidade se desenrola sem falhas na trama da telenovela, no comercial do automóvel, na notícia do crime, nos feeds da rede social, na conversa previsível com os colegas de trabalho, no teatro político, na sinceridade estudada do entrevistado, na passarela da moda, na reivindicação do ativista, na risada das conversas de bar, na falsidade das boas intenções, na promessa religiosa, no consolo da autoajuda, na letra da música. Uma costurada à outra elas se sucedem, formando a argamassa do medo. De vez em quando, porém, algo sopra a aparente solidez da parede de fumaça do ego e nos diz: isto não precisa ser assim.

Você pinta como eu pinto?

Gostaria agora de compor uma trolha pernóstica sobre a semiose da barra de scroll, posto que não há nada ali, além do fim do monitor, só a símia ilusão da rolagem de algo que sempre foi só devir, e, quando vi, já a compus.

you must remember this.

you must remember this.

Você acredita em papai noel?

Para mim, o ateísmo e a religiosidade pré-escolar (a que toma símbolo por fato, mitologia por realidade e dogma por evangelho) nascem da discussão da validade de uma hipótese construída sobre imagem vagabunda: a de que há um “deus” lá em cima, um indivíduo que, do alto e de fora, comanda o mundo, por mais insano que este seja, e que o tal criador é de fato alguém com os traços de homo sapiens, um fulano do sexo masculino (com um caralhão transcendental, talvez), mais precisamente um senhor já de certa idade, de barbas brancas, ranzinza e irritadiço, que distribui presentes a quem se comporta direitinho. E aí tudo se resume a acreditar ou deixar de acreditar em papai noel.

Pessoas minimamente maduras e honestas não podem crer no bom velhinho, mesmo que a história seja tão atraente (“há alguém lá em cima que gosta de mim”), e, neste sentido, têm meu respeito e simpatia, ao contrário dos fanáticos. Mas, em ambos os casos, ali se parte de uma visão muito precária do grande mistério.

May the Farm be with you. Always.

“Tenha a coragem de seguir suas convicções.”
Swami Satyananda Saraswati