Coleção de posts deletados do facebook - parte 2
1.
minhas notícias do bbb seriam assim: “Quadrado, constrangidão e meio deprê, come pipoca e defende a teoria de que, na verdade, nada existe”
2.
Há dois anos, inspirado pela copa da áfrica, meu filho correu em minha direção gritando “jabulani” e acertou um violentíssimo chute nos meus ovos, mais especificamente no ovo da esquerda. Isso me rendeu uma epididimite, tive de tomar antibiótico e usar suspensório escrotal (na rua, apontavam em minha direção e riam na minha cara). Até hoje guardo sequela, o que é ótimo. Depois de dois filhos, se me viesse um terceiro, acabaria atentando contra minha própria vida.
3.
não sei se meu feice é um blogue ou um programa de clipes com piadinhas no meio.
4.
minha vida anda tão emocionante que o highlight do meu dia, agora, é brincar de rex pum pum com meu filho.
5.
quebro meu jejum pra dz só o seguinte: a música “ai se eu te pego”, de michel teló - que eu nunca tinha ouvido até meia hora atrás, e estou ouvindo em looping - é genial. quem disser que não é pq não sabe nada do pop e vai passar a vida toda ouvindo coisas muito empertigadas e bem colocadinhas como o concerto pra oboé com tromba inversa em fá duplo bemol menor opus # 32 de van plutz quiel parilis.
Coleção de posts deletados do facebook
1.
Vc está aí - todo folgazão, desmiolado e vagabundo - enquanto tem um monte de fulanos postando paradinhas politicamente corretas, socialmente engajadas e ambientalmente responsáveis, com tom de lição de moral terminadas em “pense nisso” e “repasse”?
Então, meu amigo, seus problemas acabaram. Larga a mão de ser vago e venha já conosco fazer um tipo consciente. Afinal, o que pode ser melhor do que uma egotrip disfarçada de altruísmo? Pega bem, é bacaninha e, se pans, rende um sexo. Pense nisso. Repasse.
2.
Não é que o futebol seja chato, ele é apenas incrivelmente superestimado. De tão superestimado, acaba resultando mais chato do que realmente seria.
3.
Esse papo de “se o tempo voltasse, trabalharia menos, tomaria mais banhos de sol etc” o povo acha fofinho, alto astral e do bem. Mas há a condição de que seja só um desejo vão, de quem não poderá jamais voltar no tempo. Se o cabra tentar fazer isso pra valer, no presente, vão chamá-lo de loser, disfuncional e vagabundo.
4.
Vamos fumar, vamos beber, vamos tomar drogas e trepar na rua sob o sol do meio-dia, vamos parar nossos carros nas vagas de portadores de dificuldades motoras e/ou cognitivas, vamos mandar a correção política à puta que pariu.
5.
Orgulho & Preconceito é um filme (não sei do livro) que somente uma mulher pode gostar. A mim me soltam os intestinos esses ingleses muito constrangidos e apaixonadinhos.
6.
Hoje a expressão “em tradução livre” virou onipresente, por mais óbvia e única que seja a tradução possível. Acabo de ler o seguinte: ”Deep Blue (“Azul Profundo”, em tradução livre)”. Bem, já que o povo é tão criterioso, sugiro mais algumas liberdades, a saber:
Car = “carro”, em tradução livre
Egg = “ovo”, em tradução bem livre, afinal, quanto significado pode conter um ovo?
The book is on the table = “o alfarrábio do dotô zezinho criou asas e voou, deixou pra trás o mundo de desgosto, chato como o tampo de uma mesa fria e cínica de necrotério”, em tradução livre.
7.
- Quadrado, e belo monte? Vc não vai se posicionar?
- Não, tenho mais o que fazer, tomar pinga e me alienar, por exemplo.
- Seu burro!
- É nóis.
8.
O jornalista sangue-ruim, depois que morre, vai pro inferno específico da categoria. Trata-se de um jornal que não fecha nunca. E funciona assim:
No fim de um longo dia de trampo (sem tempo pra ir mijar e na chapação violenta de café ruim), a equipe do Capeta News, digamos, está já nos arremates da edição, fechando os últimos detalhes da capa, quando rola uma desgraça fresca: um avião cai em Minas matando 200 pessoas.
E aí é um pega-pra-capar pra levantar a cobertura especial de muitas páginas, com mil retrancas, fotos, infográficos e análises. Muitos cafés mais são consumidos, a bexiga quase rebenta, mas heroicamente vai-se fechando a edição. É quando um tsunami entra pelo Rio de Janeiro matando 2.000 pessoas. E o jornal que nunca fecha é refeito mais uma vez.
E de novo, e de novo, desgraças frescas e cada vez maiores que se renovam, e edições quase prontas derrubadas, pra se começar tudo do zero, pelos séculos e séculos sem fim.
9.
Todas as músicas dos beatles são nota 8 ou 9, e por isto eles são a melhor banda de todos os tempos. Mas a verdade, eu descobri, é que talvez eles não tenham nenhuma música nota 10.
Duvida? faça uma lista das melhores bandas e veja os beatles lá no topo. Depois, faça das melhores músicas, e terá dificuldade de encaixar uma dos fab 4 entre elas, porque eles não têm nenhuma gimme shelter no repertório.
10.
A verdade, meus amigos, é que eu não quero um ipad nem de graça. Fosse eu obrigado pelas forças de uma tirania sanguinária a ter um desses em casa, usaria-o no máximo para calçar a mesa bamba de lata onde todo meu café com pinga todas as manhãs.
Steve Jobs, ainda mais magro a esta altura, berraria lá de dentro do caixão, esmurrando a madeira, na tentativa de me convencer que o ipad é mais bacaninha pra levar pro sofá: “isn’t that cool?” - mas eu teria de dizer sinto muitíssimo, prefiro meu laptop apoiado sobre o colo.
Esta é a verdade, meus amigos, e a verdade, como disse o profeta, ela vos libertará.
11.
blood sugar sex magik (diabetes tântrica)
12.
corto cabelo e pinto (rabino cabeleireiro)
13.
O taxista, hoje pra mim, reclamando sério: “olha que absurdo, essa rua tá esburacada que nem um queijo SUÍNO”.
14.
Todo publicitário que colocasse a frase “então, tá esperando o quê?!” em suas peças deveria ser supliciado, arrastado ao gólgota e lá crucificado entre ladrões, como barbaramente fizeram como nosso senhor, ele, coitado, que nunca escreveu um reclame na vida.
15.
Deus me proíba de dizer coisa como “olha que bacana o resultado do meu trabalho”. Deus me force a dizer coisas como “oh, eu estava bêbado e caí com minha carne quente no assoalho do avancê”.
16.
Deus me proíba de escrever coisas como a da propaganda do celular: “dia corrido, mas muito produtivo”. Deus me incentive a dizer coisas como “ah, como é bom coçar uma frieira gorda e ardida”.
17.
2010, guinness draught, pé de pato magalô 3 vezes, lord ganesha nos salve, pernil do mal, leitinho de cabra, berço perfumado, ifode vago, rainy day women #12 & 35, zinadeira de prástico, mise-en-scène, cu de pão sueco, dente fosco, shake de baunilha, zamiáceas e bracuri martelo. enfim, um ano assim assim.
Você acredita em papai noel?
Para mim, o ateísmo e a religiosidade pré-escolar (a que toma símbolo por fato, mitologia por realidade e dogma por evangelho) nascem da discussão da validade de uma hipótese construída sobre imagem vagabunda: a de que há um “deus” lá em cima, um indivíduo que, do alto e de fora, comanda o mundo, por mais insano que este seja, e que o tal criador é de fato alguém com os traços de homo sapiens, um fulano do sexo masculino (com um caralhão transcendental, talvez), mais precisamente um senhor já de certa idade, de barbas brancas, ranzinza e irritadiço, que distribui presentes a quem se comporta direitinho. E aí tudo se resume a acreditar ou deixar de acreditar em papai noel.
Pessoas minimamente maduras e honestas não podem crer no bom velhinho, mesmo que a história seja tão atraente (“há alguém lá em cima que gosta de mim”), e, neste sentido, têm meu respeito e simpatia, ao contrário dos fanáticos. Mas, em ambos os casos, ali se parte de uma visão muito precária do grande mistério.