Sonho n° 32

Batendo nas portas do céu

Sonho que estou num bar. Vejo ali um sujeito simples de tudo. Caipira americano, inocente, simplão. Ele está ouvindo  Knockin’ on Heaven’s Door, do Dylan. Enquanto ouve, se acaba de chorar, muitíssimo emocionado: Mãe, agora é tarde…

É uma gravação muito especial da música. Gravada na ponta dos cascos da emoção, gravação ao vivo, um take só. Nas pick-ups do bar, vejo um senhorzinho de calça brim desbotada. Ele parece equalizar a canção de modo a tirar o máximo de emoção do rapaz.

A música já vai pela metade, e o rapaz ali, naquela incrível liberação emocional: chora incrivelmente mesmo, com lágrimas gordas e copiosas.

Alguém comenta sobre o estranho caso do rapaz. Dizem que ele sempre escuta a música nesse ritual. E sempre para de chorar assim que a canção chega ao fim. Recompõe-se e volta ao jeito simplão, caipira americano de ser, em tudo previsível e controlado.

O que me espanta, no sonho, é que daquele tipo de homem eu jamais esperaria uma reação emocional tão desbragada.

Alguém me diz que ele chora pela própria canção, pela música em si, não por algo que aconteceu com ele. Chora a tristeza da balada. Chora como choraram seu pai e seu avô antes dele.

Então, eu acordo.

(Sonho anotado em 11/07/17)

Veja a tag #sonhos.

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