Substâncias

Sob efeito do violentíssimo composto,
Rujo perdigotos na mesa do bar,
Quase a destroncar a cacunda num
Girocóptero esfinctóreo-reptiliano, num
Escândalo de fazer inveja a homem-bomba,
Justo no fino instante de gozo
De suas íntimas partes em fusão.

Entendo que o povo bom deste país –
Dona Amália, Seu Eulálio, menino Ronan –
Muito entendo estejam todos putíssimos
Pois criam que de bom tom seria
Me abstivesse de derramar por
Sobre o fim de tarde alheio todo este
Meu infeliz desconjunto. Eu entendo.

Mas olha que pior seria se barrasse
Meus sismos, cismas, meus sintomas,
Minhas sarnas, puns e condilomas,
Em nome do sorriso comportado e vão.

Tenho cá pra mim que Dona Vanda e
Seu Nestório, Dona Glória e Sinhazinha,
Inda hão de realizar, num dia desses lá,
Que mais vale um lagarto lanhado, de
Fratura exposta no peito, a externar seu
Lamento dramático, seu fundo gemido
Sorumbático, do que a triste sombra
De um homem de olhar desbotado
Bebendo calado na mesa de bar.

(Poema escrito em 2017)

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