Quando ribaçã de sede bateu asa e voou

Postado por aq em 24 de agosto de 2010 às 18:07

A família Quadrado — desde Dom Nuno Sardinha Magalhães Monteiro Machado Azeitão Quadrado, o Visconde de Filhós e Tremoços — sempre prezou a música desenchabida do menestrel de Exu, e, ontem mesmo, o mais novo membro do clã mostrou que filho de peixe alevino é, ao esticar o dedinho em riste e berrar um “de novo!”, logo findado no cedeplêier do carro a “Paraíba”, de Lua e Humberto Teixeira. “Oxe”, piei baianamente em resposta, e repleiei o xote.

A predileção não vem de hoje, verdade não se esconda. Mas olhe que desde que migrei pras bandas do nordeste paulista entendi bem mais melhor o seu Gonzaga, que sabia contar dum jeito esses caso de lama virar pedra e bode ficar troncho. Não chove mais neste diacho de plaga dos vento foforento, e a sacada do meu barraco no irajá virou um Crato cearense poeirado e estrelado, mas muito bem mais aquém do recomendado pela oms.

A mim mesmo só me resta conformar que me desarrosto miudinho e medroso, caindo de joelhos e rangendo os dentes, entre as samambaias que viraram cactos, a pedir ao deus pai nosso do céu que nos mande gota do firmamento enluarado. Eu, com os beiço tudo trincado e purmão roído de rinite, mas ainda sonhando em cantar com Gonzaga que pro norte relampeia, querendo esquecer do futuro próximo de quando só restar a casca preta dos prédios da fiúsa e as carcaças empilhadas dos carros do aquecimento global.

Mui lindo e trágico que ver será tudo virando deserto, e as hordas correndo sedentas, de peru de fora e tacape na mão, ao som de Gonzagão. Eita pau-pereira que em princesa já roncou!

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