O despertar da for√ßa

Eu ainda n√£o vi o epis√≥dio 7, mas j√° imagino exatamente como seja…

Han Solo, na madureza, deixa de lado a pilantragem. Vai para uma prainha a muitos parsecs de dist√Ęncia e passa a viver da pesca artesanal. Sua esposa, Leia Organa, passa o dia na lida da casa, o mesmo vestidinho roto, o mesmo avental pu√≠do, toda gordota e entediada da vida. Ela frita postas de ca√ß√£o e chama o marido: ‚Äú√Ē, v√©io, o rancho t√° servido‚ÄĚ.

Quando o stormtrooper arrependido e a gatinha da galáxia o encontram, Han está justamente almoçando, acocorado na frente da casa. Mexe com os dedos calejados o fundo do prato de peixe, farinha e feijão, a barba grisalha por fazer, o queixo brilhando da gordura da comida. Eles lhe contam sobre um vilão novo, tal e coisa. Mas Han quase não fala. Sublinha o enfaro estalando a língua na busca por um fiapo de peixe preso nos dentes. Como todo homem vivido, sabe que a vida não vale a pena. Para se livrar dos visitantes, topa pegar a velha jangada e levar a dupla até o planeta pantanoso de Dagobah, onde Luke Skywalker então eremita.

No reencontro depois de tantos anos, os dois velhos amigos se cumprimentam num sil√™ncio constrangido. Han descobre que ningu√©m vira her√≥i impunemente: o lado sombrio uma hora acha o veio por onde se desopilar. Luke est√° b√™bado da pinga que ele mesmo produz mofando algas do p√Ęntano. Vive assombrado por fantasminhas hologr√°ficos e pela imagem de seu pai, lanhado e fumegante sobre o magma endurecido de Mustafar. Traz fundas olheiras, os dentes desconjuntados e aquela bel√≠ssima pan√ßa de iogue, no que Mark Hamill faz jus e leva pr√™mio.

O velho Jedi v√™ que a gatinha da gal√°xia √© bem gatinha mesmo, mas agora √© tarde demais para ele. Envergonhado, Luke saca seu sabre de luz e comete um harakiri ali mesmo, na frente de toda a adolesc√™ncia mundial, na plateia a comer combo de pipoca e coca zero…

Tipo isso.

(Post publicado em 2015)