Sonho n° 35

O repórter sem cabeça

Sonho que estou passando diante da sede do Flamengo. Nada me indica que seja, mas eu sei que é.

Na calçada, está um repórter do rádio esportivo, gravando comentário sobre o próximo jogo do time. O jornalista não tem cabeça, seu defeito de nascença. A boca fica no braço, no cotovelo. E ele segura o gravador ali perto para gravar o áudio.

O homem não é só um repórter setorista do clube, ele é flamenguista de coração. Tanto que, ao final do comentário, depois de terminado o trabalho, ele se abaixa e beija a calçada “sagrada” do time, todo atravessado de emoção.

Eu, para dar uma força — como alguém que é movido pelo sentimento de compaixão por um deficiente, pelos fodidos da vida — aplaudo seu comentário.

Como não tem cabeça, ele não me vê, mas pode me ouvir. Caminha em minha direção para me cumprimentar, para me agradecer. Só que, na verdade, eu estou disfarçado de velhinha para não revelar minha real identidade.

Então, eu acordo.

(Sonho anotado em 12/07/17)

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