Letra N

Nāda – A Palavra-Brahman, Om.

nahabat – Uma torre musical.

Naishādha – Famoso tratado sânscrito, de autoria de Sriharsha.

Nānak – Fundador da religião Śikh e primeiro dos dez Gurus dos Śikhs. Nasceu em Punjab em 1469, e morreu em 1538.

Nanda(gosh) – Pai adotivo de Sri Krishna.

Nandi – Um seguidor de Śiva.

Nangtā – (Lit., o Desnudo) Sri Ramakrishna assim se referia a Totapuri, o sannyāsi que o iniciou na vida monástica e que vivia nu.

Não-dualismo Qualificado – Escola da Vedānta fundada por Rāmānuja, segundo a qual a alma e a natureza são modos de Brahman, e a alma individual é parte de Brahman.

Nārada – Grande sábio e adorador de Deus da mitologia hindu.

Nārada Pancharātra – Escritura do culto Bhakti.

Naralīlā – Deus manifesto como homem.

Nārāyana – Um dos nomes de Vishnu.

Nārāyani – A Consorte de Nārāyana; um dos nomes da Mãe Divina.

Narendra(nath) – Discípulo de Sri Ramakrishna, mais tarde mundialmente conhecido como Swami Vivekananda.

Nareschandra – Poeta místico bengalês.

Narmadā – Rio da Índia central, que corre para o Mar da Arábia.

nātmandir – O salão espaçoso sustido por pilares na frente de um templo, cuja função é abrigar apresentações de música devocional, reuniões religiosas etc.

Navadvip – Cidade bengalesa onde nasceu Sri Chaitanya.

Navavidhān – (Lit., a Nova Dispensação) O nome do Brāhmo Samāj, organizado por Keshab Chandra Sen, depois de sua discordância com o Brāhmo Samāj.

nax – Um jogo de cartas.

neem – Árvore de folhas amargas.

“Neti, neti” – (Lit., “Isto não, isto não”) O processo negativo do discernimento, defendido pelos seguidores da Vedānta não-dualista.

Nova DispensaçãoVer Navavidhān.

ni – A sétima nota da escala musical indiana.

Nidhu Babu – Compositor conhecido por suas melodias suaves.

NidhuvanVer Bosque Nidhu.

Nikashā – Mãe de Rāvana.

nikunja – Caramanchão.

Nimāi – Apelido familiar de Sri Chaitanya.

Nimāi-sannyās – “A Renúncia de Chaitanya”; uma peça que retrata como Sri Chaitanya abraçou a vida monástica.

Niranjan(a) – (Lit., O Imaculado) Um dos nomes de Deus; também um dos discípulos íntimos de Sri Ramakrishna.

nirguna – Sem atributos.

Nirguna Brahman – (Lit., Brahman sem atributos) Termo usado para nomear o Absoluto.

Nirvāna – A absorção final em Brahman, a Realidade Onipresente, pela aniquilação do ego individual.

nirvikalpa samādhi – O estado mais elevado do samādhi, no qual o aspirante realiza sua total unidade com Brahman.

nishthā – Devoção ou amor unidirecionados.

Nitāi – Apelido carinhoso de Nityānanda.

Nitya – O Absoluto.

Nitya-Kāli – Um dos nomes da Mãe Divina.

nityakarma – Rituais religiosos que um chefe de família deve fazer todos os dias, mas que não são obrigatórios para o sannyāsi.

Nityānanda – (Lit., Bem-aventurança Eterna) Nome de um querido discípulo e amigo de Sri Chaitanya.

nityasiddha – (Lit., eternamente perfeito) Termo usado por Sri Ramakrishna para designar seus jovens discípulos dotados de grande poder espiritual.

Nrisimha – (Lit., Homem-leão) Encarnação Divina mencionada no Purāna.

Nyāya – Lógica indiana, um dos seis sistemas da filosofia ortodoxa hindu, fundada por Gautama. Ver darśanas.

To Boddah

Hoje, temos equinócio, eclipse e superlua. Para os esotéricos, banquete: “Há setenta e dois anjos na terra, é preciso decidir de que lado você vai ficar!”, disseram-me. Para os astrônomos, eventos previsíveis; entrementes, desavisados nem sabendo do tríplice episódio. Normal, está tudo certo. Não julgo mais.

Faz tempo venho cozinhando na cabeça a ideia de que o real é o que se pensa que seja, sendo a vida apenas uma massa plástica, tão indulgente quanto impertinente, a se deixar moldar sem resistência nem razão, aceitando refletir a verdade que se queira imaginar, de tal sorte que não há algo real em definitivo, mas muitas realidades funcionando simultaneamente.

Há anjos, de fato, a quem neles queira crer, e anjos são fantasia, todavia, a quem quer que assim creia ser. Não se deve procurar a verdade, pois a verdade é só reflexo dos pensamentos, e tudo há ou deixa de haver conforme o gosto do freguês, como um Gato de Schrödinger democrático, de tanga de crochê em Ipanema.

Talvez tua má vontade em crer no que digo te aparte da compreensão, então repito: os anjos existem mesmo, não como fantasia, não como “função psíquica”, mas como verdade verdadeira, como realidade dura — porém só para aqueles que neles creem, pois que, no universo do descrente, anjos simplesmente não se dão.

E, hoje, por razões ignoradas, ando pensando muito em Kurt Cobain. Aquela história de começar as canções de forma suave e depois descer o pau, vejo como a repetição da biografia de Cobain: alguém que nasceu para ser tranquilo, pena ter tido malditos nervos desencapados. Alguém que, nalgum ponto ali na infância, tomou uma cajadada da vida quando soube talvez da fatalidade da morte, quebrando-se o écran para sempre.

Tinha toda vocação para respirar em paz, o Cobain. Tudo o que ele queria era cantar a sério (e não com aquele sarcasmo dolorido a pedir socorro) a canção dos Youngbloods — não é à toa que ele pôs o nome da banda de “Nirvana” (e depois estourou os miolos).

Sou assim também, desarranjado, de écran partido, erratic moody baby, com a tanga de crochê toda farofada de areia e tatuí, aquela puta tristeza de foca tomando cajadada na cabeça, sujando a areia de sangue jovem. No, I don’t have a gun. Nem julgo mais.

A vida demora tanto que nunca acaba, meu amigo, não adianta, porque assim é como ela funciona no meu universo de modelar… e haja peito para um suspiro assim tão vasto, triste e resignado.

Só peço aos anjos que resgatem Cobain do vale desesperado, frio, úmido e cagado da nossa imaginação/realidade.

(Post publicado no facebook em 20/03/15)