Substâncias

Sob efeito do violentĂ­ssimo composto,
Rujo perdigotos na mesa do bar,
Quase a destroncar a cacunda num
GirocĂłptero esfinctĂłreo-reptiliano, num
Escândalo de fazer inveja a homem-bomba,
Justo no fino instante de gozo
De suas Ă­ntimas partes em fusĂŁo.

Entendo que o povo bom deste país –
Dona Amália, Seu Eulálio, menino Ronan –
Muito entendo estejam todos putĂ­ssimos
Pois criam que de bom tom seria
Me abstivesse de derramar por
Sobre o fim de tarde alheio todo este
Meu infeliz desconjunto. Eu entendo.

Mas olha que pior seria se barrasse
Meus sismos, cismas, meus sintomas,
Minhas sarnas, puns e condilomas,
Em nome do sorriso comportado e vĂŁo.

Tenho cá pra mim que Dona Vanda e
Seu NestĂłrio, Dona GlĂłria e Sinhazinha,
Inda hão de realizar, num dia desses lá,
Que mais vale um lagarto lanhado, de
Fratura exposta no peito, a externar seu
Lamento dramático, seu fundo gemido
Sorumbático, do que a triste sombra
De um homem de olhar desbotado
Bebendo calado na mesa de bar.

(Poema escrito em 2017)

Empreita

Numa única tarde, 
Fizemos luxuosa mansĂŁo
E meia dĂşzia de castelos,
Todos respingadinhos
Ă€ Barcelona, imponentes;
Colunas, voláteis volutas,
A rebrilhar ao vento veranista,
Entre quatro muquinfos
De   crustáceos  “corruptos” 
(aqueles de fisgar robalo)
Parafusados na areia molhada
Da praia de Juqueí. 

(Poema escrito em 2018)